Saneamento básico e educação ambiental são temas no ‘Comunidade em Foco’
Dia após dia, os moradores da capital paulista têm convivido com um volume crescente de obras das concessionárias a serviço da Sabesp. Boa parte destas intervenções são na rede de esgoto, já que a empresa tem metas a cumprir para a universalização do saneamento até o ano de 2029.
Na edição de 17 de junho do programa “Comunidade em Foco”, na rádio comunitária Cantareira FM, Juçara Terezinha conversou com Vitor Chaves, engenheiro naval que atua em projetos de saneamento por meio da empresa Almerindas Saneamento, especializada em levar água e esgoto para áreas mais vulneráveis.
“A gente trabalha em diálogo com as pessoas, buscamos soluções a partir da realidade dos territórios, com uma metodologia um pouco diferente da engenharia puramente tradicional”, detalhou Vitor, destacando que o nome da empresa homenageia as mulheres que nas áreas mais pobres são as mais impactadas pela falta de saneamento.
“Sem o saneamento ideal, essa mulher vê o filho ficar doente e faltar à escola; se em casa não chega água potável, ela tem de ir buscá-la em um ponto distante, e daí, muitas vezes, temos aquelas imagens das mulheres com baldes, latas d´água na cabeça. O nome da empresa, Almerindas, é uma homenagem a todas essas mulheres, para que possam ser cada vez mais protagonistas do saneamento, agentes de transformação”, afirmou Vitor.
Juçara recordou que no processo histórico de formação dos bairros no distrito da Brasilândia, muitas mulheres, especialmente nas localidades mais altas, carregavam latas d´água na cabeça, que elas pegavam nas bicas, nas minas, para viabilizar as construções e para assegurar água para a família beber, para fazer comida e para a higiene pessoal.

UNIVERSALIZAÇÃO DO SANEAMENTO
A Almerindas presta serviços a algumas empresas concessionárias da Sabesp que têm atuado nas obras da rede de esgoto em bairros como Brasilândia, Pirituba e Freguesia do Ó, com a meta alcançar a universalização do saneamento até 2029.
“Aqui em São Paulo, para dar conta destas metas, a Sabesp tem lançado muitas contratações, batido recordes de investimento anual: já foram investidos aproximadamente de R$ 8 e R$ 10 bilhões, e há a previsão de mais R$ 30 bilhões em todo o estado até 2029. Assim, muitas empresas do setor, as construtoras principalmente, vão se juntando, formam esses consórcios para atuar em áreas aqui da cidade e em outros locais do estado de São Paulo”, explicou.
“A nossa atuação integra social e engenharia e, por isso, fomos chamados por alguns consórcios para trabalhar estruturando toda a parte de comunicação social, ações socioambientais, cadastramento de novos consumidores e para fazer alguns trabalhos de engenharia que envolvem diagnósticos de campo, ou seja, a gente vai até o local, faz um teste de corante na rede de esgoto para ver se realmente aquele cadastro de rede que indica que o esgoto tem de ir daquela rua até a outra rede se isso está funcionando bem, ou se tem algum tubo quebrado ou um lançamento de esgoto indevido em alguma galeria de água pluvial ou em algum córrego canalizado”, detalhou Vitor.
“Muitas vezes, o pessoal da nossa equipe pede para fazer o teste de corante no vaso sanitário de algumas casas: a gente coloca uma substância à base de água colorida no vaso e aí faz a verificação se aquela casa está com o esgoto conectado à rede de esgoto corretamente. Com isso, a gente vai gerando informações para planejar obras, realizar os projetos e demais intervenções necessárias. De forma geral, o Programa Integra Tietê está realizando todos esses levantamentos e essas obras na região da bacia do rio Tietê. Atualmente, a nossa empresa tem atuação com consórcios da região de Pirituba, Brasilândia, Freguesia do Ó; e algumas atuações na região de Guarulhos e bairros próximos de lá. Todos esses consórcios estão com essa missão de fazer todas as obras de coleta de esgoto que ainda estavam faltantes, para tirarmos todo o esgoto que cai no rio Tietê aqui na cidade de São Paulo, a fim de garantirmos um ambiente mais saudável para todos, e para que, enfim, possamos chegar neste sonho do Tietê Limpo nos próximos três, quatro anos”, projetou Vitor.
PARA ONDE VAI O ESGOTO?
Juçara perguntou ao especialista se o consumidor final tem como saber sobre para onde vai o esgoto pelo qual está pagando para a Sabesp coletar.
“Atualmente, essas informações não são públicas”, observou Vitor. “Mas por estar atuando nesta região aqui, eu conheço o cadastro técnico e posso dizer que, infelizmente, quase todo o esgoto daqui em algum momento vai parar em algum córrego. Não chega a uma estação de tratamento. No entanto, até o final do próximo ano, com as diversas obras que estão sendo feitas, será possível tirar esse esgoto do córrego e conectá-lo corretamente ao sistema para chegar até uma estação de tratamento”, enfatizou Victor.
Ele disse que este problema de esgoto indo parar em rios não ocorre somente nas periferias, mas também nos bairros mais centrais e nobres.
O especialista detalhou porque é importante que nas tubulações das casas não haja o despejo da água das chuvas na rede de esgoto: “O esgoto lançado por uma residência não vai direto para o córrego, vai para uma rede da Sabesp, até por isso que é pago esse serviço. Acontece que, muitas vezes, este esgoto não vai chegar até à estação de tratamento, pois conforme ele vai descendo pela rede, encontra um córrego, uma galeria de água pluvial, e se mistura a essa água que se torna poluída Isso também explica porque não é bom para o sistema, nem correto, jogar a água da chuva na rede de esgoto, pois ela tem tubos um pouco menores, e quando chove muito, a água vem de uma vez e a tubulação de esgoto não aguenta, ou se aguenta chega uma quantidade muito maior de esgoto na estação de tratamento, e, assim, não dá para desempenhar bem o tratamento do esgoto”.

APOSTA NA EDUCAÇÃO E CAPACITAÇÃO
Com vistas a mudar essa realidade e formar pessoas para cuidar de seus territórios para um futuro mais sustentável, Almerindas promoveu entre 29 de junho e 3 de julho a formação EcoAtivos, dentro do projeto Guardiões do Amanhã, preparando adolescentes e jovens, de 16 a 30 anos, e outros adultos moradores dos territórios para atuarem como multiplicadores ambientais e do saneamento.
“Apartir do desenvolvimento desses nossos trabalhos, a gente sentiu a necessidade, a vontade, de estruturar algumas formações mais aprofundadas, de maior duração. Assim, a gente reserva uma semana para estudar o tema”, detalhou.
“A gente sabe os desafios que o nosso planeta está enfrentando, em termos de alterações climáticas, com chuvas extremas, secas extremas, calores extremos, rios nascentes se deteriorando, secando. A gente precisa desses jovens para vislumbrar um futuro mais sustentável, mais equilibrado. A formação Guardiões do Amanhã é bastante interdisciplinar, com uma base teórica e prática de algumas questões tanto para quem está desenvolvendo um movimento no bairro, que queira desenvolver um projeto socioambiental, quanto para quem está buscando formações para atuar profissionalmente nessa área de meio ambiente”, explicou.
A formação em questão foi realizada em um auditório da Sabesp no bairro de Santana, abordando questões como segurança territorial, justiça climática, permacultura, soluções baseadas na natureza para tratamento de esgoto e manejo de água de chuva; além de inovação social, visitas a obras de saneamento e a uma estação de tratamento de esgoto, questões da Agenda 2030 e Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS); além da produção de uma cartilha e uma vivência mediada pela jornalista Amanda Hara.
Em 2025, a Almerindas já havia promovido o curso Mulheres que Conectam: ao longo de sete dias, 20 mulheres aprenderam sobre o saneamento básico, sobre como executar pequenas obras de saneamento e melhorias dentro dos imóveis, como usar as ferramentas, como que são utilizadas as peças hidráulicas e como instalar tipos específicos de conexão, além de terem visitado obras de saneamento.
“Participam pessoas engajadas com a construção de um futuro mais sustentável, seja em uma perspectiva profissional, de atuações com o meio ambiente, atuações socioambientais, seja também buscando embasar um maior conhecimento para tocar movimentos em seus territórios ou socioambientais de forma mais ampla”, sublinhou Vitor.
Na conclusão da entrevista, Juçara Terezinha elogiou a iniciativa e observou: “Eu sempre falo que se a gente for parceiro do espaço em que mora, a gente o transforma em um espaço agradável. Já quando a gente não tem esses conhecimentos, não tem essa cultura do cuidado com o local, a gente vai deteriorá-lo e vai conviver com esse espaço muito ruim, a ponto de não dar vontade de continuar morando nele. Um território, por mais afastado que ele seja, por mais vulnerável que seja, se é bem cuidado pelos próprios moradores, com algumas técnicas, com alguns cuidados, pode se transformar em um espaço muito agradável”.
Para se informar a respeito de cursos futuros, ofertados gratuitamente, entre em contato pelo WhatsApp (11) 92165-6664 ou pelo Instagram (@almerindas.co).
ASSISTA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE 17 DE JUNHO
