Em live especial, rádio comunitária Cantareira FM comemora 31 anos de história
Na terça-feira, 8 de setembro, foram completados os 31 anos da entrada no ar da rádio comunitária Cantareira FM, na referida data no ano de 1995.
Para celebrar esta história de luta e resistência na comunicação popular a partir da periferia, uma live especial foi apresentada em FM 87,5, no YouTube e Facebook (@cantareirafm) e no APP Rádios Net e TuneIn, com mediação de Anderson Braz e a participação dos comunicadores da rádio do povo.
Ao longo de quase duas horas de programação, os cofundadores da Cantareira FM e os atuais participantes do projeto recordaram histórias marcantes e destacaram o papel da rádio comunitária para fazer ressoar as demandas do povo na periferia e das minorias na sociedade.
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SAIBA MAIS SOBRE NOSSA HISTÓRIA
O começo do projeto da Rádio Comunitária está ligado a alguns sonhadores e apaixonados por comunicação popular: Cilto José Rosembach, José Eduardo de Souza e Claudio Trudelli (in memoriam), e foi crescendo e fincando raízes nas quebradas da Brasilândia.
Em 1994, diversas rodas de conversas, reuniões e partilhas de ideias aconteceram entre as lideranças das comunidades, associações e grupos culturais sobre a proposta de construir uma rádio comunitária, com abrangência inicialmente no Jardim Vista Alegre, para comunicar a vida do povo.
Não seria, porém, algo fácil de se viabilizar: embora naquela época o movimento de rádios comunitárias e rádios livres era vibrante e permitiu que milhares de emissoras entrassem no ar, a repressão por parte das forças estatais, como a Anatel e a Polícia Federal, era dura e implacável contra os que ousavam colocar rádios no ar sem outorga. Milhares de lideranças foram presas outras processadas e equipamentos apreendidos. Porém, mesmo em meio a esse caldeirão de repressão, lideranças da região Brasilândia colocaram a rádio comunitária no ar, em FM 102,5, no dia 8 de setembro de 1995, às 18h56.
O projeto encantou as comunidades, recebeu apoio de artistas e lideranças dos movimentos sociais e logo ganhou espaço e foi se firmando como uma prática de comunicação alternativa e popular. O nome da rádio, inclusive – Comunitária Cantareira FM – foi uma escolha da comunidade e faz alusão ao território em que está: a Serra da Cantareira.
Entre 1996 e 1998, a maioria das rádios comunitárias no Brasil foi silenciada à força. Por diversas vezes, lideranças, comunidades e ouvintes foram às ruas manifestar o repúdio às ações de repressão do Governo Federal e a defesa pela democratização da comunicação e da regulamentação dessas emissoras.
Depois de muita luta, em 1998 foi aprovada pelo Congresso Nacional a lei 9.612/98 que regulamenta o serviço de radiodifusão comunitária no Brasil. Assim que a legislação entrou em vigor, a Associação Cantareira protocolou o pedido de regulamentação da emissora no Ministério das Comunicações.
Foi uma longa espera: somente em 2006, o Ministério expediu o chamamento para as entidades interessadas em executar o serviço de radiodifusão comunitária em São Paulo.
Toda documentação solicitada foi entregue, porém, o processo perdurou por mais de quatro anos. Durante esse período, a equipe de comunicadores da Associação Cantareira se manteve articulada, realizou encontros, participou de um curso de comunicação com extensão pelo Departamento de Comunicação e Filosofia da PUC-SP e elaborou e organizou a programação da emissora.
Finalmente, em 18 de julho de 2010, após 15 anos de muita resiliência, a Rádio Comunitária Cantareira FM obteve a outorga – licença de funcionamento – operando, assim, de modo regulamentado, e cada vez mais atenta às atualizações das plataformas de comunicação para fazer ressoar sempre mais forte e mais longe a voz do povo da periferia.
