‘Manas e Manhãs’ abre espaço para as canções e reflexões de Luiza Akimoto
“Que Deus é um cara gozador, adora ser sacana, pra me jogar no mundo tinha a Disneylândia, achou muito engraçado me botar sem grana, na barriga da miséria, eu nasci Pindorama. Eu sou daqui da Brasilândia”.
“Pindorama” é uma das canções do álbum “Especialista Numa Nota Só”, lançado em 2022 pela musicista, cantora e compositora Luiza Akimoto. Este sucesso, assim como “O Tango”, “Tem febre” e “Gole D’água”, ela cantou com seu violão, ao vivo, na edição de 20 de fevereiro do programa ‘Manas e Manhãs’, apresentado por Simone Preciozo, na rádio comunitária Cantareira FM.
A ARTE QUE BROTA DO OLHAR PARA O TERRITÓRIO
Luiza Akimoto contou que cresceu ouvindo samba, MPB e forró, e que este tríade é perceptível em suas canções, nas quais fala de amor e do seu território: a Brasilândia, não aquela marginalizada retratada pela mídia, mas aquela onde emana o senso de comunidade.
“Eu comecei a olhar para a Brasilândia como este lugar com tantos ensinamentos. Aqui não é só miséria, aqui não é só violência. Aqui tem muita arte, muita mulher na luta. E assim, comecei a descobrir coisas que eu gostava de fazer para além daquilo relacionado com ‘fazer dinheiro’. E fui me encantando pela música, pelo teatro, pelo som. Só que eu não tinha como pagar alguém para montar meu som, então, fui aprender a montar meu som. Não sei pagar ninguém para me ensinar a tocar, então eu mesma fui aprender a tocar meu violão”, destacou. “Eu fui ajuntando as coisas que sabia fazer e me profissionalizando sem querer, mas sempre buscando falar das belezas do nosso território e falar de amor”.
“Toda as vezes que eu estava no aperto, que não via outro trabalho, que estava difícil, eu nunca passei fome, porque a música nunca deixou. Eu me sento em qualquer lugar com meu violão, eu vou garantir o almoço e a janta. Mas a gente é periférico, a gente é favelado, precisa atravessar muitas pontes”, comentou.

SER ARTISTA NA ERA DAS REDES SOCIAIS
Questionada por Simone Preciozo se as redes sociais e novas tecnologias tem aberto mais possibilidades aos artistas independentes, Luiza ponderou que, embora nestes ambientes se democratize o acesso à múltiplas produções, os algoritmos não impulsionam os artistas de modo igual.
“O algoritmo faz uma seleção na qual o artista independente, principalmente de quebrada, não vai chegar nos ouvidos da maioria das pessoas”, comentou, destacando que tem buscado resistir à lógica de ter de compartilhar todos os fatos da própria vida para conseguir likes.
Luiza Akimoto classificou como fundamentais as políticas de fomento para os artistas independentes e disse valorizar muito as ocasiões em que podem apresentar sua arte para a população da Brasilândia, como pôde fazer naquele dia na rádio Cantareira FM.
PODCAST ‘CRIA HISTÓRIAS’
Além da carreira musical, Luiza Akimoto é uma ativista social, tendo tido protagonismo na ocupação dos estudantes secundaristas no ano de 2015 nas escolas do estado de São Paulo.
Atualmente, ela também integra o Cria Coragem (@somoscriacoragem), uma organização que atua na defesa e prevenção a abusos sexuais contra crianças e adolescentes. Este coletivo criou o podcast Cria Histórias, para dar visibilidade às questões da infância.

“Desenvolvemos um podcast que conta a história das revoluções das infâncias na história do Brasil. É muito importante a gente falar que as crianças e adolescentes não são só vulneráveis. Eles são protagonistas de lutas e revoluções para conquistas de direitos deles e dos adultos também. Então, se a criança é empoderada no território dela, se ela frequenta os espaços como a rua, a escola, enfim, se ela está na convivência da sua comunidade, ela vai conseguir falar não ao abusador, ela vai conseguir pedir ajuda”, enfatizou.
Luiza Akimoto explicou que nesta primeira temporada, o podcast busca investigar a representação da infância no Brasil, em quatro episódios: o primeiro aborda a vida das crianças no Brasil Colônia; o segundo trata sobre criança e trabalho; o terceiro recorda a revolução dos secundaristas (a ocupação das escolas de 2015); e o quarto versa sobre o território digital e a necessidade de que haja legislações para proteger as crianças nestes ambientes.
“Quando você entrega a subjetividade, autoestima, território, comunidade e fortalecimento para uma criança, ela se empodera, e com isso conseguimos combater a violência”, assegurou Luiza, adiantando que a segunda temporada do podcast, que já está com pesquisas em curso, tratará sobre os diretos da infância para além da legislação formal.
Simone enalteceu a iniciativa e disse ser fundamental integrar cada vez mais as crianças nos territórios e ampliar as iniciativas para defendê-las.
Para conhecer mais sobre o trabalho de Luiza Akimoto, acesso o Instagram @luizaakimoto. As oito canções, todas autorais, do álbum “Especialista Numa Nota Só”, podem ser ouvidas gratuitamente tanto no Spotify quanto no YouTube.
OUÇA A ÍNTEGRA DO PROGRAMA DE 20 DE FEVEREIRO
