Jesús Rojas: ´Os EUA não se conformam que Cuba tenha feito a revolução que fez’

Em visita a familiares no Brasil no mês de julho, o cubano Jesús Rojas testemunhou o grande apreço dos brasileiros pela resiliência do povo cubano, que há mais de 60 anos resiste ao imperialismo dos Estados Unidos, que impõe fortes sanções econômicas e limitações comerciais à ilha desde que foi deflagrada a revolução liderada por Fidel Castro.

“Com a revolução de 1959, abriu-se um outro horizonte para o povo cubano, mas os Estados Unidos começaram a fazer pressão para destruir a revolução, mas resistimos, já que temos respaldo total do povo cubano”, comentou Jesús, na ida aos estúdios da rádio comunitária Cantareira FM, no dia 9 de julho, na companhia do amigo brasileiro Severo. Eles participaram do programa “Comunidade em Foco”, apresentado por Adão Alves.

A FORMAÇÃO DOS CDRs

Em Cuba, Jesús Rojas preside um dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR).

“Os CDRs surgiram pela necessidade de defender, nas ruas, a revolução. Todo o povo cubano está organizado para defender Cuba quando for preciso. Os CDRs são a principal arma que o nosso país tem para se defender, para não deixar que seja invadido e nem que a população se confunda pela ambição de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos. Temos toda uma estrutura para nos defendermos, não para atacarmos ninguém”, detalhou.

“Cuba não quer a guerra. Quer a solidariedade do mundo e compartilhar o que tem com o mundo”, enfatizou.

Jesús Rojas explicou que antes da revolução de 1959, no governo de Fulgencio Batista, o povo cubano viveu sob a égide da exploração, com um ‘líder’ disposto a ser serviçal dos interesses norte-americanos.

Isso, porém, mudou a partir da era Fidel Castro: toda a população de Cuba pôde ter acesso a educação, o que fez com que se mudasse o patamar de vida. Jesús, por exemplo, formou-se como educador e trabalhou como professor de Física em uma universidade em Havana.

Severo, Jesús e Adão Alves

OS IMPACTOS DO BLOQUEIO FINANCEIRO

“Há 66 anos, estamos sendo submetidos a um bloqueio financeiro brutal, criminoso, que não permite que Cuba se desenvolva. E quem faz isso são os Estados Unidos, que não se conformam que Cuba, um país tão pequeno, tenha feito a revolução que fez”.

Ainda segundo Jesús, a retaliação dos Estados Unidos a Cuba é sentida em diferentes setores, como na agricultura e nas indústrias farmacêuticas e automotiva que não se desenvolvem, em razão de não poderem adquirir tecnologias.

“Mas vivemos lutando e nos desenvolvendo em áreas como educação, cultura, esporte, medicina”, assegurou o entrevistado.

Adão enalteceu o fato de os cubanos sempre estarem disponíveis a levar saúde de qualidade e atendimento médico a pessoas de diferentes partes do mundo.

RESISTÊNCIA AO IMPERIALISMO

“Nós, cubanos, não admitimos que nos imponham um governante, pois somos um povo independente”, comentou Jesús, lamentando que no Brasil haja grupos que tenham uma postura entreguista aos Estados Unidos.

Severo, por sua vez, lembrou nos governos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro muito se fez para que o Brasil se tornasse subserviente aos Estados Unidos e que ainda hoje assim age a extrema direita.

Adão complementou que antes de Lula se eleger presidente pela primeira vez, em 2002, as elites brasileiras tinham a mesma postura, “de tornar o Brasil uma colônia disfarçada dos Estados Unidos. Em 1959, Cuba disse não aos Estados Unidos e por assim agir tem sofrido um grande estrangulamento econômico”.

Jesús lembrou que o povo cubano, apesar de todas as adversidades, sempre compartilha o que tem. Ele lembrou que isso foi fortalecido a partir da política dos conselhos populares, do governo Fidel. “Os conselhos promovem a participação popular para resolver a solução dos problemas”.

“Temos de exaltar a resistência do povo cubano ao longo destes 66 anos. Cuba tem uma organização social que não favorece o que os norte-americanos querem. O povo está unido e organizado”, comentou Adão Alves.  

Jesús lembrou, ainda, que os Estados Unidos fazem uma forte guerra midiática contra Cuba e outros países com governos progressistas que não se curvam.

APOIO AOS CUBANOS

Jesús também disse que os Estados Unidos tentam criar a imagem de que Cuba é um local de regime fechado, dominado por terroristas, quando, na verdade, o desejo da população é de abertura a negociar com outras nações, mas em relações comerciais justas.

“Cuba necessita de quem queira investir em nosso país. Temos força de trabalho qualificada para a indústria, para a agricultura, porém, está limitado em tecnologias, em razão dos impedimentos dos Estados Unidos. O Brasil e qualquer outro país do mundo pode contar com a seriedade e a firmeza do povo cubano. Essa solidariedade que venha de diferentes partes do mundo nos ajudará a vencer este bloqueio norte-americano”.

Severo recordou que cresce no Brasil movimentações para apoio ao povo cubano, uma delas idealizada em Diadema, na Grande São Paulo.

“Queremos ajudar Cuba nesta resistência. Se depender do imperialismo norte-americano, todos por lá serão mortos, e não só em Cuba, mas em outros países, como a Venezuela. A meta dos Estados Unidos é ter como explorar o petróleo, as terras raras, e outras riquezas, jamais se preocupando com o povo”, comentou Severo.

O referido comitê de solidariedade é encabeçado por Silvana Gomes e pode ser contatado pelo telefone/WhatsApp (11) 98485-3703.

Adão Alves, por fim, lembrou que a rádio comunitária Cantareira FM está sempre de portas abertas para ajudar na luta de resistência do povo cubano.

ASSISTA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA FEITA EM 9 DE JULHO