Representantes da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa visitam a Associação Cantareira

Em 10 de junho, a Associação Cantareira abriu suas portas para a visita de Helena Sayuri, gestora cultural da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, acompanhada das estagiárias Maria Eduarda e Gabriela, e de Washington Luiz, do Fórum Democracia na Comunicação (FDC).

Por intermediação do FDC, a rádio comunitária Cantareira FM tem sido contemplada em projetos do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária para a Cidade de São Paulo, após um minucioso trabalho de elaboração, execução e validação de projetos relacionados à comunicação popular, comunitária e voltada aos direitos humanos.

Na visita à rádio, o grupo foi recepcionado pela comunicadora Juçara Terezinha e por Mayara Venâncio, que detalhou o projeto do Acervo Comunitário Cantareira. Depois, os convidados foram entrevistados por Beto Souza nos estúdios da rádio, em uma edição especial do programa ‘Comunidade em Foco’.

IMPACTO POSITIVO

“No dia a dia, eu acompanho os projetos, mas geralmente este contato se dá por meio dos relatórios que as rádios fazem nesta parceria dos fomentos ou pela gravação de alguma chamada de áudio. Dá muito sentido ao trabalho que a gente faz estar aqui e é muito especial ver o trabalho que vocês desenvolvem para além da rádio, pensando no desenvolvimento integral da comunidade, não somente em cultura, mas também em educação, em memória e na construção de um sentido, de um senso de pertencimento”, ressaltou Helena.

Positivamente impactada também ficou Maria Eduarda, que cursa Ciências Sociais na USP, participa do coletivo negro Luiza Mahin e que há alguns meses mudou-se para o Jardim Damasceno, no Distrito da Brasilândia.  

Acervo Comunitário Cantareira é apresentado aos visitantes

“Estar aqui na Associação Cantareira me traz um sentimento de esperança, pois conhecemos não apenas a rádio, mas os outros projetos como o de alfabetização de jovens e adultos, um projeto que não é só sobre educar as pessoas, é dar a elas independência. Portanto, é um sentimento de esperança ver todo este trabalho, pois eu venho de uma comunidade periférica e é muito triste ver crianças e muitas pessoas em situação precária. Aqui, é muito bonito ver também esta luta de retomar a história da Brasilândia, de contar a história de baixo para cima, tudo isso é bem emocionante pra mim”, ressaltou a estudante de Ciências Sociais. “Eu sou ‘cria’ de projetos culturais e é algo que me alimenta muito ver este trabalho de base que aqui se realiza”.

Também Gabriela, que cursa Ciências e Humanidades e Políticas Públicas na Universidade Federal do ABC, revelou-se surpresa com a quantidade de iniciativas promovidas pela Associação Cantareira: “Projetos de alfabetização, de memória e resistência, de independência. Foi muito legal ver este projeto na prática, com tantas pessoas envolvidas”.

APOIO ÀS RÁDIOS COMUNITÁRIAS

Helena Sayuri detalhou que tem acompanhado diretamente o programa de fomento às rádios comunitárias desde setembro de 2025 e que a visita a uma emissora permite “diminuir barreiras que existem entre o poder público e as associações, rádios, que de fato fazem os programas”.

Washington Luiz, radialista e jornalista, que é um dos articuladores do Fórum Democracia na Comunicação, enalteceu a realização da visita por parte dos membros da Secretaria de Cultura: “Temos quase 10 anos de projetos de fomento e é a primeira vez que viemos a uma rádio comunitária. Nós sempre estivemos abertos ao diálogo. Antes do fomento, as rádios comunitárias estavam dispersas, porque a lei 9.612/1998, que é a lei que nos garante o serviço de rádio difusão comunitária no território nacional, embora fortaleça as emissoras, deixa brechas que as fragilizam, daí a importância deste diálogo”.

Washington enfatizou que o FDC tem buscado representar de verdade as rádios comunitárias, por meio da agregação, organização e fortalecimento do setor. “O único fomento de rádios comunitárias que funciona no Brasil é o da cidade de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com a interlocução do Fórum Democracia na Comunicação”.

Na parte final da entrevista, Helena Sayuri recordou o projeto de fomento ao forró que ela também acompanha mais proximamente na Secretaria: “O fomento ao forró foi instituído em 2019. Está indo para a sexta edição. É um fomento que trabalha com a seleção de projetos culturais na cidade de São Paulo, relacionados à linguagem do forró – música, dança, memória, projeto audiovisuais, de libras – em três módulos diferentes: a difusão da cultura forrozeira, a formação e a salvaguarda desta cultura”.

Por fim, Beto Souza recordou que um dos pilares da rádio comunitária Cantareira FM é o apoio aos artistas independentes, por isso que o estúdio é amplo para receber grupos que queiram se apresentar na emissora: “Eu até tenho o bordão de que a rádio Cantareira ‘é a casa do artista independente’. E todas as vezes que recebemos os grupos, é muito nítida a alegria deles em saber que temos uma rádio comunitária com este propósito”.

ASSISTA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE 10 DE JUNHO