Participantes de Curso Latino-Americano de Formação Pastoral visitam a Associação Cantareira

Como parte da programação do Curso Latino-Americano de Formação Pastoral, promovido anualmente pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), os participantes visitaram em 22 de agosto a sede da Associação Cantareira, na Vila Isabel, distrito da Brasilândia, na periferia da zona Noroeste da capital paulista.

Na ocasião, eles conheceram os projetos mantidos pela Associação, entre os quais as turmas do movimento de alfabetização de jovens e adultos (Mova) e a rádio comunitária Cantareira FM.

Nos estúdios da rádio, eles foram entrevistados pelos comunicadores Cilto José Rosembach e Beto Souza, comentando sobre as impressões que tiveram da visita à instituição e da temática do curso deste ano – “Espiritualidade Ecológica: caminho pastoral e social no enfrentamento da crise climática”, iniciado em 9 de agosto e que prosseguirá até 11 de setembro, proporcionando amplas reflexões e partilha de saberes sobre o cuidado com a Casa Comum, a preservação do meio ambiente, a sabedoria dos povos e a conexão entre fé, cultura e sustentabilidade.

PERCEPÇÕES DE AFRICANOS E LATINOS

Individualmente, eles contaram nos microfones da Cantareira FM sobre suas trajetórias de vida, atuação pastoral e aprendizados do curso.

Fátima Filipe, nascida em Angola, mas atualmente vivendo em Londres, na Inglaterra, trabalha com Enfermagem e é nutricionista. Ela revelou estar muito feliz com o que vem aprendendo no curso e assegura que ao voltar para a célula da igreja pentecostal da qual participa na capital britânica poderá partilhar novos saberes: “Já aprendi muita coisa sobre como lidar com a terra-mãe. Refletimos, também, sobre questões que estão afetando o planeta, principalmente as questões climáticas e o que nós, como igrejas cristãs, podemos fazer para ajudar, mudando a maneira de as pessoas pensarem sobre a terra”. Ela recordou que muito pode ser feito, desde ações mais amplas de saneamento básico até, simplesmente, colocar o lixo no local correto.

Também angolano, Simão David é formado em Engenharia. Pela terceira vez participa do curso, mas nas duas anteriores foi de modo on-line. “Agora, presencialmente, estou podendo aprender e partilhar experiências sobre o mundo. E tem me marcado bastante saber que tudo está interligado. E partilhando experiências, vejo quantas coisas comuns temos feito além-fronteiras para ajudar o planeta”.

Eliseu Nunes também nasceu em Angola e atualmente vive no Zimbábue, onde cursa o mestrado em Direitos Humanos. Ele conta que aquilo que aprendeu no curso será de grande validade: “Percebemos que tudo está interligado. Os temas do curso são muito pertinentes e aprendemos que não há planeta B”. O homem fez memória das crises vividas atualmente em Angola e se sente motivado a ajudar a mudar a realidade de seu país natal.

Missionário evangélico na Amazônia boliviana, Edwin afirma que a ideia mais destacada durante o curso é que cada pessoa, nos diferentes locais do planeta, é chamada a defender e proteger o meio ambiente: “E se não nos unirmos, como estamos aqui hoje, de diferentes países, logo chegaremos como o Titanic ao fundo do mar. Temos de nos unir para defendermos o que ainda resta do planeta”.

Também Guiomares, natural da República Dominicana, e que trabalha na área da educação e atua pastoralmente em retiros espirituais, comentou que aquilo que mais chama sua atenção até agora no curso é o alerta sobre “a cura interior que cada pessoa precisa fazer para ajudar a curar a terra. E aqui, por meio dessas experiências, atividades, estamos fazendo essa cura interior”.

Jacinta Joaquim é pastora angolana. Ela observou que, apesar das dificuldades que o mundo apresenta, ainda há uma esperança: “Se os homens se dispuserem a mudar, a esperança, como uma força divina, nos permitirá fazer a mudança para melhores condições para universo e à vida das pessoas”.  Ela disse que está se sentindo fortalecida no curso, ao ver que as pessoas em suas próprias comunidades estão empenhadas em fazer a mudança para melhor: “Vou sair cheia de forças, energias, com o testemunho de todos”.

Maurício Macias é equatoriano e tem trabalhos nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) em seu país. Ele contou que ressoa em seu coração ao longo desta formação a frase de que é preciso cuidar do planeta, pois não existe outro para nos acolher: “Nossa vida é uma só, nosso planeta é um só, por isso, aproveito este meio de comunicação para convidar todos a tomar consciência de que a nós compete cuidar do planeta, pois se não cuidarmos, quem cuidará por nós? Todos somos a Terra, somos criados a partir da terra para a qual retornaremos, portanto, cuidemos da nossa mãe Terra”. Ele se disse feliz em saber que a Associação Cantareira é uma porta-voz para que as pessoas possam comunicar-se nos âmbitos local e mundial.

Maitê é professora universitária em Cuba e psicóloga de formação. Ela disse ter sido de grande valia aprender sobre o tema da ecologia integral e da oportunidade de participar de um diálogo inter-religioso muito positivo. Também se disse impressionada com o trabalho integrado que é realizado pela Associação Cantareira: “Vocês trabalham com os pequenos, com os mais fragilizados da comunidade, então, eu os parabenizo por isso”.

Patrícia Guerra ajuda na catequese infantil e nos projetos de meio ambiente realizados em sua paróquia no Equador. “Este curso me parece maravilhoso, com pessoas muito conscientes de que precisamos cuidar da natureza, pois sem a natureza não podemos existir”.

Juan Carlos, da Bolívia, é missionário pastoral em seu país em territórios marcados pela pobreza e pessoas com poucos recursos financeiros.  “Dessas vivências no curso, vamos levar grandes experiências, conhecimentos para nossos países e compartilhar o que aprendemos”.

BRASILEIROS AGRADECEM POR PARTILHA DE SABERES

Vindo da Diocese de Lins, no interior paulista, Antonio de Souza Carvalho disse que no curso tem aprendido muito sobre “a relação e correlação que o homem tem com a natureza. Sou agradecido pela experiência que cada um traz a este encontro, com sua visão diferente de mundo. E, assim, a gente vai se completando a cada dia e sabemos que podemos fazer alguma coisa, ainda que pequena, em favor da mãe natureza, que tanto sofre pelas ações do homem”.

Da Arquidiocese de Chapecó, em Santa Catarina, três foram as participantes: Maria Elidia, Yone e Leonides.

“Está sendo um jeito diferente de ver o projeto de Deus na vida do povo”, afirmou Yone, contando ainda que está impressionada como o curso concilia teoria e prática: “É muito importante que haja na fala dos participantes a preocupação com a nossa casa comum, pois infelizmente há quem pense que ela é infinita, mas é finita”.

Já Maria Elidia retomou a ideia de “não temos um planeta B. Este planeta está morrendo e cabe a cada um de nós fazer a sua parte, resgatá-lo, pois está morrendo”. Sobre a Associação Cantareira, comentou ter ficado impressionada “com a força e a coragem da equipe que teve muitas dificuldades e continua tendo, mas se mantém firme e forte na luta”.

Leonides, que também integra o grupo ecumênico do Centro de Estudos Bíblicos (Cebi) de Santa Catarina comentou que ao conhecer a Associação Cantareira pôde perceber como a força dos pequenos, em pequenas ações, faz grande diferença no mundo.

Uma das pessoas do CESEEP que acompanhou o grupo na entrevista na rádio foi Maria Bethânia: “Eu percebo que este grupo de participantes do curso é muito consciente das questões ecológicas. Cada um deles tem a intenção de reproduzir na prática os conhecimentos que está adquirindo no curso”.

Cilto José, por fim, lembrou: “Todos nós temos algo a ensinar e muito a aprender. Tudo vale a pena!”.

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