Fome entre crianças e adolescentes cai quase 30% em um ano e atinge menor nível da história

O Brasil registrou uma queda histórica da insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes. Dados do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social apontam uma redução de quase 30% em apenas um ano — o menor índice desde o início da série histórica, em 2004.

Na prática, o número de crianças e adolescentes em situação de fome mais severa caiu de cerca de 2,5 milhões, em 2023, para 1,8 milhão em 2024.

O resultado é atribuído à ampliação de políticas públicas voltadas à proteção social e ao combate à pobreza. Entre elas, o Bolsa Família tem papel central ao garantir renda para famílias em situação de vulnerabilidade.

O programa inclui ainda o benefício Primeira Infância, que oferece um valor adicional para famílias com crianças de até seis anos, alcançando cerca de 9 milhões de crianças em todo o país.

Além da transferência de renda, o Bolsa Família estabelece contrapartidas importantes, como a frequência escolar e a manutenção da vacinação em dia. Segundo o levantamento, a insegurança alimentar cai pela metade entre crianças que frequentam a escola.

O acompanhamento da saúde também tem avançado. Atualmente, quase 8 milhões de crianças têm peso e altura monitorados pela atenção primária, o que permite identificar e enfrentar problemas nutricionais de forma mais rápida.

Para a secretária extraordinária de combate à pobreza e à fome, Valéria Burity, os dados refletem uma mudança concreta na vida das famílias. “Das crianças de 0 a 6 anos com baixa estatura acompanhadas pelo Bolsa Família em 2019, 77% conseguiram alcançar a altura adequada em 2023. Ou seja, a gente rompeu uma trajetória de fome, garantindo menos sofrimento para essas crianças e suas famílias”, afirmou.

O estudo também aponta melhora na qualidade da alimentação. Os índices de obesidade e de magreza acentuada apresentaram queda no período.

Segundo Valéria Burity, os resultados não são fruto de uma única iniciativa, mas da integração de diferentes políticas públicas. “A queda da fome entre crianças e adolescentes não é resultado de um programa isolado. É resultado da integração de políticas, de uma política econômica que garantiu crescimento, emprego e redução das desigualdades. Quando a gente combina renda, alimentação, cuidado com a saúde e educação, os resultados são rápidos e muito expressivos”, destacou.

Os dados reforçam que o enfrentamento da fome passa por ações articuladas e pelo cuidado contínuo com as crianças, especialmente nos primeiros anos de vida.

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