‘Revista da Semana’ abre espaço para as canções com propósito ambiental de Juscelino Olyveira

Há 41 anos, Juscelino Olyveira chegava a São Paulo. Nascido em Miguel Alves, no Piauí, ele trazia poucos pertences, mas muitos sonhos. Seus primeiros empregos foram no comércio. Depois, se tornaria professor da rede municipal de ensino, lecionando em sala de aula por quase 32 anos.

Formado em Artes, com especialização em Artes Cênicas, além de graduado em Direito e Jornalismo, Juscelino também foi seminarista na Igreja Católica: não se tornou padre, mas no seminário se aprofundou em uma de suas paixões, a música, já que havia aulas teoria musical a cada semana.

“Eu demorei 27 anos para realizar o sonho de gravar um disco, mas realizei. Tenho oito álbuns gravados que hoje estão em plataformas digitais, como o Spotify e no YouTube. Meus temas são ligados à questão ambiental, sustentabilidade. Também falo de combate à violência doméstica, racismo e a busca da paz social”, comentou Juscelino.

Como professor da rede municipal de ensino, Juscelino lecionava a disciplina de educação artística: “Eu sempre procurava fazer uma aula bem alegre, pra cima, para que o aluno ficasse motivado e ter uma aula de qualidade”, recordou ao ser entrevistado, em 18 de outubro, no programa “Revista da Semana”, apresentado Beto Souza e Léo Pereira, na rádio comunitária Cantareira FM.

A MÚSICA E O MEIO AMBIENTE

Juscelino recordou que a ideia de trazer temáticas ambientais em sala de aula por meio da música surgiu em 1992, quando no Rio de Janeiro se realizou a ECO92, a reunião da ONU com a participação de diferentes países para tratar das mudanças climáticas no planeta, da qual resultou a criação das conferências anuais sobre o clima, as COPs, tendo a mais recente a COP30, ocorrida em novembro de 2025 em Belém, no Pará.

Naquele ano de 1992, Juscelino lecionava em uma escola pública no bairro Cidade Tiradentes, na zona Leste, e resolveu fazer paródias com temáticas ambientais: “Em vez de você ficar pensando a escola, pense limpo, jogue lixo no lixo, no lixooooo, o lixo é para o lixo”, foi a primeira paródia, feita com base na música “Pense em mim”, de Leandro e Leonardo.

Depois, passou a fazer músicas, alusivas a múltiplos temas ambientais, paz, violência entre outros assuntos, sempre tendo a certeza do poder que a arte tem de mudar a sociedade e que, assim, deve ser disseminada nas escolas e nas periferias, “até para ajudar a combater as questões de racismo ambiental, do preconceito e da violência”, comentou.

“A arte é terapêutica, ela é luz para a vida das pessoas. O que eu seria sem a arte? O que seríamos todos nós sem música? A arte é como o ar que a gente respira. Sem a arte o mundo seria muito triste, ela é um alimento para a alma”, prosseguiu Juscelino.

ENTRE MÚSICAS E LIVROS

Durante o programa, foram mostrados alguns de seus videoclipes, um deles o da canção “mudanças climáticas”, que trata sobre o calor excessivo em São Paulo: “Mexeram tanto com a natureza que aqui que era a chamada ‘terra da garoa’ agora virou terra do calor. Com essas mudanças climáticas, o planeta está cada dia mais quente”.

Em outro álbum musical de sua autoria, Juscelino fala sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um plano global idealizado pela ONU para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir prosperidade e paz até 2030. O CD vem acompanhado de um livro, que ele lançou naquele mesmo mês de outubro – dias após a entrevista na rádio – chamado “Agenda 30 – 17 ODS”. Este é um dos cincos livros que ele já escreveu na vida.

Por ocasião da conferência sobre o clima em Belém, Juscelino compôs a canção COP30, com o propósito de ajudar a divulgar o evento e destacar a urgência sobre os debates acerca das mudanças climáticas no mundo, com menções especiais à realidade vivida na Amazônia. “Por um amanhã onde a terra floresça, na COP30 nossa luta começa”, canta-se em um trecho da música.

“Vamos cuidar da nossa casa comum. Ou a gente cuida bem para que tenhamos vida ou vamos começar a ter sérios problemas de saúde e viver menos”, prosseguiu Juscelino, dando como exemplo a realidade da cidade de São Paulo, imersa em poluições da água, do ar, sonora e visual.

ATENÇÃO A QUEM MAIS SOFRE

Juscelino Olyveira destacou, ainda, que são os pobres sofrem de modo mais forte os impactos das mudanças climáticas, por isso é importante que a periferia se conscientize e se una sobre o tema, pois é frequentemente impactada por alagamentos, enchentes, deslizamentos e mortes em decorrência disso. “Os ricos, que são os que mais poluem, estão pouco preocupados”, comentou, lamentando que estes estejam mais ocupados em fazer guerra e não em construir a paz e cuidar do meio ambiente.

Nos shows e palestras que realiza, Juscelino sempre pede que os participantes levem um 1kg de alimento para doação: “Eu sou um grande defensor do ODS2 – fome zero e agricultura sustentável. Estes alimentos que as pessoas levam ou ficam na própria comunidade ou vão para as iniciativas que ajudam centenas de pessoas que são moradoras em situação de rua aqui em São Paulo. Temos de ser solidários ao outro em sua dor. Jesus deixou um exemplo bonito para a humanidade quando ele repartiu o pão e dividiu entre a multidão. Quando eu passei fome aqui em São Paulo, eu recebi muita solidariedade do povo paulista, por isso, hoje, quero sempre retribuir. A solidariedade que recebi do povo de São Paulo me ajudou a realizar meus objetivos e sonhos”.

Quando convidado, Juscelino faz palestras e apresentações em escolas e outras instituições. Os canais de contato dele são o telefone (11) 98485-1055, o Instagram (@juscelinoolyveira) e seu canal no YouTube.

“Eu falo sobre o meio ambiente em todos os lugares, porque defender o meio ambiente é defender a vida da gente”, concluiu.

ASSISTA A ÍNTEGRA DO REVISTA DA SEMANA DE 18 DE OUTUBRO