O apoio ao casamento homoafetivo chegou a 52% no Brasil em 2026, segundo pesquisa do PoderData

Pessoas que se declaram contra atingiram o menor índice desde 2023.

Por Victoria Marques

O casamento homoafetivo (entre pessoas do mesmo gênero) é apoiado por mais da metade da população brasileira (52%), aponta estudo da empresa de pesquisa PoderData, realizada em janeiro de 2026. Esse número apresenta um crescimento de 4% em relação ao ano anterior.

Pessoas que se declaram contra chegam a 39%, o que aponta uma queda de 3% em relação ao ano passado, e é o menor índice desde 2023. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 12,2 mil casamentos homoafetivos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que equivale a um aumento de 8,8% desde o ano anterior.

A advogada especialista em direitos LGBTQIAP+ e mestre em proteção dos direitos humanos, Bruna Andrade, explica que é um crescimento natural: “É um movimento de conquista de direitos. Toda vez que a gente tem o reconhecimento de um direito, naturalmente esse direito é acessado”.

Andrade diz que outro fator para o aumento teria ocorrido em 2023, quando a Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que proibiria o casamento entre pessoas do mesmo sexo: “Isso leva as pessoas a fazerem um movimento de acessar o direito com medo de perder”.

Para o projeto se concretizar precisaria ser aprovado por outras comissões da Câmara e pelo Senado, o que não aconteceu.

“O casamento é aquilo que mexe com a estrutura do LGBTfóbico”, explica. “Quando a gente fala da comunidade LGBTQIAP+ como um todo, um direito como um todo, é o direito ao casamento, é o direito de se constituir como família, ser compreendido na sociedade como família, porque quando você não pode ser compreendido na sociedade como família, você passa a ser um cidadão de segunda classe.”

Os mais velhos têm dificuldades de se verem casados por conta do preconceito que sofreram no passado. “As famílias LGBTQIAP+ também entendem o que é um casamento hoje. Antigamente não se tinha nem acesso a essa informação, não se acessava a esse desejo”, ressalta a advogada.

A especialista pontua que os jovens LGBTQIAP+ tratam a sexualidade e gênero de maneira diferente das antigas gerações: “A partir da geração Z, nós temos a identidade de gênero e a sexualidade naturalizada cotidianamente. Então, se declarar LGBTQIAP+, ficou algo mais rotineiro”.

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