No ‘Samba do Negueba’ a ordem é ‘traz seu instrumento e vem ser feliz!’

Na Vila Dionísia, na zona Norte de São Paulo, Wagner e seus filhos, Júnior e Pedro, sempre passavam as horas vagas na resenha do samba. Um dia, a roda de samba caseira foi armada em uma arena multiesportiva na Freguesia do Ó. Era aniversário de Pedro, e Renan chegou para se juntar à turma.

“Dá pra dizer que o grupo surgiu do nada, aconteceu o samba naquele dia, e falamos ‘pô, dá para a gente seguir com isso aqui, cara’. Do nada, chegou a rapaziada e firmou o samba”, recordou Júnior, que no vocal e com seu cavaquinho é um dos integrantes do Samba do Negueba, criado em 2024.

Júnior, Wagner, Pedro e Renan estiveram nos estúdios da Cantareira FM para cantar e relembrar histórias do Samba do Negueba na edição de 8 de novembro do programa ‘Revista da Semana’, apresentado por Beto Souza. O grupo também é formado por Maurinho, Gui e Ica.

E por que Samba do Negueba? O nome é em homenagem a quem mais se empolgou com a roda de samba no dia do aniversário do Pedro, lá em 2024.

“O Negueba, que é professor lá no FregaBeach, ficou muito feliz naquele dia, até chorou, foi um negócio que significou muito pra ele. Pra gente, tinha sido só mais uma samba com resenha, um negócio de bobeira, mas pra ele, desde o começo, foi um negócio muito marcante, por isso demos o nome de Samba do Negueba”, contou Júnior.

Aos poucos, o grupo começou a ser chamado para apresentações e assim o Samba do Negueba foi se consolidando. “E seguimos nessa brincadeira toda, juntos, entre brigas, beijos e abraços”, brincou Wagner.

Pedro, Junior, Wagner, Renan e Beto Souza

A PAIXÃO PELO SAMBA

O ‘paizão da galera’ também comentou que antes de formarem o Samba do Negueba, cada um dos integrantes já tinha tido passagens por outros grupos, sendo ele próprio muito experiente no mundo do samba, com participações nas escolas Camisa Verde e Branco e Mocidade Alegre.

“Toquei muito na noite, toquei em vários grupos, inclusive toquei no Cabeça Feita, um grupo formado ali na Cachoeirinha, na Vila Dionísia. E logo no começo do Arte Popular, do Sensação, a gente fazia brincadeira juntos. E eu falava sempre ‘não vou fazer parte não, vou ficar quietinho, deixa eu quietinho’, mas não dá para ficar quietinho no samba, é difícil! Dei um tempo, momentâneo, mas tenho uma amiga, a Simone Tobias, que começou a cantar e insistiu ‘vem comigo, me ajuda, dá uma força’, e eu disse ‘vamos, tamo junto, vamos lá’, então voltei. Depois, os meninos começaram, ‘bora lá, vamos pra cima’, e estamos até hoje”, recordou Wagner.

Pedro comentou que o Samba do Negueba ajudou Simone Tobias com o Projeto Alecrim, “que é um dos melhores surdos de terceira de São Paulo, o melhor!”, e, também, com o Projeto Olha a nossa Tradição: “A gente começou contando a história do Camisa Verde e Branco, dos sambas que envolviam a história da escola de samba, que tinham algum envolvimento com os fundadores, com os cofundadores, então a gente foi resgatando a história”.

QUAL O REPERTÓRIO? O QUE VEM NO CORAÇÃO!

Ao longo da participação no ‘Revista da Semana’, o grupo cantou alguns clássicos do samba como “Coração Medieval”, de Douglas Sampa; “Sentimento nú” e “Oya”, ambas do grupo Sensação; “Partido Alto”, do Aniceto do Império; “Marinheiro só”, de Clementina de Jesus; “Nos braços da batucada”, de Arlindo Cruz; e a música mais pedida em seus shows: ‘Gente Malvada”, do Galocantô.

“Eu fui saber somente na quarta-feira/ Naquele centro lá da Praça da Bandeira/ Seu boiadeiro me contou mesmo de fato/ Que o falso amigo carregou o meu retrato/ Oh gente malvada/ Botou meu nome pra encruzilhada”, é um dos trechos da canção.

“A nossa essência é fazer o samba na rua, o samba de roda”, assegurou Júnior, explicando como escolhem as músicas a serem tocadas.

“Não temos repertório, não temos ensaio propriamente de chegar e procurar uma música. É o que vem, o que dá no coração mesmo. A gente sempre brinca, ‘traz seu instrumento e vem ser feliz, mano’. É um negócio que vem no coração, querendo ou não. E cada show, cada resenha, cada roda de samba, é diferente. O nosso principal negócio é isto: chegar e tocar o que dá no coração”, ressaltou Júnior.

O cantor disse que os membros da formação atual são muito gratos por todos que já passaram pelo grupo ou que ajudaram de algum modo nesta estrada que se encaminha para dois anos de existência.

“E hoje a gente vai dando força a quem nem sabia como começar, mas conhece nosso trabalho e começa a tocar. O Samba do Negueba é isso: vem, vem com alegria!”, falou Wagner.

SÓ ALEGRIA, CONFUSÃO NÃO!

Beto Souza elogiou os propósitos do grupo e defendeu que a nova geração de sambistas não deixe que se perca o samba raiz: “A história do samba paulistano é muito rica, muito rica mesmo, não pode morrer”.

O apresentador também lembrou que em uma sociedade tão polarizada como a atual, o samba tem sido capaz de unir as pessoas, com todo mundo junto e cantando em ambientes comuns.

Os integrantes do Samba do Negueba enfatizaram que o samba deve ser sempre ocasião de alegria, não de brigas.

“Nós já paramos o samba no meio quando começou uma briga. E na frente de todo mundo, falamos para a pessoa se retirar. E tem que escrachar sim! ‘Você veio para estragar a noite de quantas pessoas?’. A gente parou e falou, ‘por favor, mano, tá convidado a se retirar’. Quem arruma confusão tem que passar vergonha na frente de todo mundo. E se não for embora, o segurança faz a parte dele e acabou o problema”, comentou Wagner.

Detalhes sobre o Samba do Negueba, bem como a agenda de apresentações, podem ser vistas no Instagram (@sambadonegueba_).

“Somos um grupo ruim de música, mas bom de resenha”, brincaram ao final da entrevista.

ASSISTA A ENTREVISTA DE 8 DE NOVEMBRO