Betto Ponciano é entrevistado no programa Sintonia Cultural
Violão, viola caipira, gaita e contrabaixo são alguns dos instrumentos com os quais o músico e compositor Betto Ponciano dá sonoridade ao seu olhar para o mundo, a partir de quem foi criado na roça e hoje vive no ambiente urbano.
Ele foi o entrevistado na edição de 27 de dezembro do programa ‘Sintonia Cultural’, apresentado por Anilson Brito e Adão Alves na rádio comunitária Cantareira FM.
“O meu som é uma mistura de música caipira, música de raiz, uma música de raiz contemporânea, também com folk music. E a minha poesia versa, basicamente em temas rurais, fala da relação do ser humano com a natureza e as consequências desta relação”, detalhou Betto Ponciano.
Adão Alves, por sua vez, destacou que a razão de existir da arte é o despertar a consciência das pessoas, do contrário, servirá “apenas para enfeitar”.

MÚSICAS DE DESTAQUE
Ao longo do programa, Betto Ponciano tocou algumas músicas ao vivo e outras de sua autoria foram reproduzidas, entre estas “A Canção do Milho”, que descreve um cenário tipicamente rural: “Galinha cisca o terreiro, fruta madura no pé, sol acordando mais cedo, no fogo, broa e café. Porteira aberta, num gesto eterno de abraçar, guarda o batente a poeira que alguém levanta ao passar”.
Já na música “Raiz da Serra”, Betto se inspirou no amor sincero de seus avós que encantou o seu olhar de menino criado no campo.
Tocou ainda “Um carro de boi”, música que, segundo ele, consegue expressar toda a dureza da vida no campo. “Nesta letra, eu me coloco como o boi puxando carro”.
“Nas minhas poesias, tento traduzir para quem está me ouvindo o dia a dia do meu universo rural, ainda que hoje eu não viva mais na roça, mas essas raízes, estas influências, ficam”.
Também apresentou a música “Cantador”, uma homenagem ao bem que a música traz à humanidade: “Cantador, cantador, encante a dor e cante amor”.
Ao longo da entrevista, Betto Ponciano aconselhou que as pessoas não percam a capacidade de dialogar, principalmente em casa: “Se tivermos um tempinho, ao menos alguns minutos para conversar com a família, perguntar um ao outro como foi o seu dia, isso é um bálsamo. É uma delícia poder ter alguém para conversar”, disse acreditando que, apesar de tudo, a humanidade está em um processo evolutivo, e que os fenômenos mais extremos da natureza sobre a humanidade são, justamente, para consertar a rota.
“A vida não é fácil, mas nós, artistas, tentamos passar às pessoas, no meu caso pela música, um pouco de alento, conforto, espiritualidade, falando do cotidiano, das coisas do meu universo”, afirmou.
“Agradeço muito o trabalho da rádio Cantareira em convidar o artista independente para falar sobre o nosso tipo de trabalho, porque não é fácil: nós investimos tempo, dinheiro, energia”, concluiu.
ASSISTA A ÍNTEGRA DO PROGRAMA DE 27 DE DEZEMBRO
