O mercado da misoginia: como o ódio contra mulheres gera lucro no ambiente digital

Entenda como a produção de conteúdo machista por mulheres atrai engajamento, gera receita em plataformas digitais e reforça estereótipos de gênero para obter validação econômica.

por Laina Moraes

A participação de mulheres no discurso misógino ocorre por meio da internalização de valores machistas e da adesão a narrativas de ataques a outras mulheres para obter validação social, econômica ou digital. O ambiente digital intensifica o fenômeno, vinculando o conteúdo de ódio contra mulheres a modelos de monetização.

Entrevistamos a coordenadora do núcleo de São Paulo do coletivo feminista “Tamo Juntas”, que nos explicou que o movimento RedPill vem criando fama em diferentes frentes, em primeiro lugar tem os homens que conversam com outros homens: “o homem que faz o discurso machista, ele vai comunicar com outros homens para que eles se coloquem como macho alfa. É aquele discurso do ‘ele manda mesmo, a mulher abaixa a cabeça’, então, é tudo uma estrutura de poder é uma estrutura de marcador social, de relação que vai permanecer no status quo, tudo do jeito que está e não vai mudar.”

Em segundo lugar, tem o posicionamento da mulher que concorda e fomenta a ideia e opinião machista, que de acordo com Rafaela, conversa com o público feminino: “Esse o tentáculo dessa mulher que vai fazer o vídeo, que vai falar que ela tem que servir o seu marido, ela precisa obedecer, precisa estar em casa, ela vai comunicar com outra mulher. periférica, muitas vezes, essa mulher não tem rede de apoio e ela vai ver, nossa, eu realmente preciso fazer o que essa mulher está mandando, porque assim, eu vou ter um casamento melhor. E veja, isso vai estruturando, né, a relação.”

Mulheres participam do discurso misógino ao adotarem comportamentos de diferenciação e reforçarem estereótipos de gênero para obter aprovação em grupos masculinos. Essa atuação se estende à produção de conteúdo em canais voltados à masculinidade, onde a validação de discursos contrários à igualdade de gênero gera engajamento e retorno financeiro por meio de plataformas digitais.

A normalização desse fenômeno ocorre mediante a participação em interações que ridicularizam mulheres ou em campanhas de linchamento virtual contra figuras femininas em posições de destaque. Ao tratarem a violência de gênero como opinião ou entretenimento, essas ações contribuem para a manutenção de estruturas sociais baseadas na hierarquia patriarcal.

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