‘Revista da Semana’ faz ressoar o talento da cantora Camilla Layara

A rádio comunitária Cantareira FM, a casa do artista independente, mais uma vez abriu seus microfones para um talento das periferias: a cantora e compositora Camilla Layara foi a entrevistada da edição de 1º de novembro do programa ‘Revista da Semana’, apresentado por Beto Souza e Léo Pereira.

Na companhia de Marcinho Queiroz, no violão, ela cantou grandes sucessos da música sertaneja nacional e falou de sua trajetória. Nascida no bairro do Ipiranga, na zona Sul, desde a infância Camilla mora em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A animação que a música sempre trouxe ao seu ambiente familiar, de modo especial ao ritmo de forró e sertanejo, foi a primeira inspiração para que se tornasse cantora, inicialmente na igreja que frequenta. Depois, começou a fazer “palhinhas” em alguns barzinhos e há cinco anos decidiu partir para a carreira de cantora.

“Quando eu vi, já estava fazendo showzinhos nos bares e já tinha uma galera que me acompanhava”, recordou, destacando que no começo precisou vencer o nervosismo e a timidez. 

“O que me ajudou muito nas primeiras vezes que eu me apresentei foram meus amigos presentes. O pessoal fazia aquele mutirão pra ir me ver e isso me deu muita confiança. Então, nos momentos que eu travava, que a voz embargava, eu sempre tinha alguém ali que eu olhava, uma amiga que falava, ‘respira, tá tudo bem’. E isso foi muito importante para a minha segurança nas primeiras apresentações”, recordou. 

INSPIRAÇÕES E ARTISTAS DE REFERÊNCIA

Antes de se tornar cantora profissional, Camilla passou a compor algumas músicas, a primeira delas, resultado de uma decepção amorosa. 

“Sendo bem sincera, a minha primeira composição surgiu após eu ter levado um ‘chifre’. Depois dessa composição, eu vi que tinha talento pra escrever alguma coisa. Sempre que eu escutava alguma história, eu falava, ‘caramba, isso aí dá até uma música’. As histórias das minhas amigas dão muita música! Então, eu me inspiro nas histórias das pessoas que conheço, pois as histórias de vida sempre podem dar uma música”, explicou, cantando um trecho de sua primeira canção:

“A casa caiu/ você me traiu/ Vai se arrepender/ palmas pra você/ Quis me enganar/ com ela vai ficar/ Tudo acabou/ Esqueça/ eu não quero um traidor”.

Camilla, ao lado de Beto Souza, Léo Pereira e Marcinho Queiroz

Camilla, então, se arriscou a fazer apresentações e viu a agenda de shows ir crescendo a cada final de semana: geralmente, ela tem uma apresentação na sexta-feira à noite e ao menos uma aos sábados e domingos, mas já aconteceu de fazer dois shows no mesmo dia: “É maravilhosa a sensação de estar ali no palco, cantando e vendo as pessoas cantarem com você. Receber um carinho, um elogio, toda essa energia pra mim é surreal. E quando senti isso, foi uma virada de chave. Eu falei, ‘eu quero cantar, quero desbravar esse mundo aí e ver no que vai dar’”.

Atualmente, Camilla se apresenta cantando canções de artistas consagrados da música sertaneja como Henrique e Juliano, Maiara e Maraisa, Simone Mendes, Bruno e Marrone e Marília Mendonça – falecida em 2021 -, que é sua maior inspiração. 

“A Marília Mendonça é minha inspiração como mulher e como artista. Eu me aprofundo realmente nas coisas dela e procuro sempre evoluir. E dei esse passo de ser cantora inspirada nela, uma mulher maravilhosa, que deixou um grande legado. Eu acho que todas nós mulheres merecemos o melhor, e ela fez com que nós enxergássemos isso pela música. E eu, particularmente, consegui me libertar pelas músicas dela, ouvindo o que ela cantava”, recordou.

ENFRENTANDO RESISTÊNCIAS 

Camilla lembrou que nestes cinco anos de carreira, nem sempre encontrou portas abertas para cantar: “Recentemente, eu fui a um barzinho que adoro, e pedi uma oportunidade pra cantar. O dono até deixou eu cantar uma música, mas tipo assim, ‘vai logo e some daqui’. Ele nem arrumou o som direito”, lamentou. Em outras ocasiões, o que seria apenas uma “palinha” acabou virando quase um show inteiro.

A cantora e compositora lembrou que ainda hoje as mulheres são vistas com ressalvas no ambiente da música sertaneja: “Ainda enfrentamos muito preconceito. Você é subestimada antes de subir no palco. ‘Será que ela canta bem? É mulher…’  O ritmo sertanejo foi composto por homens, as grandes referências são masculinas, mas aos poucos, as mulheres estão conseguindo espaço. A Roberta Miranda sempre foi um grande exemplo da mulher sertaneja, e de 2013 para cá vejo essa crescente de mulheres no sertanejo. E isso nos trouxe mais visibilidade, empoderamento e confiança, mas a gente ainda sofre esse preconceito. Eu passo por isso constantemente. Homens, até mesmo donos de casas de shows, de bares, têm essa resistência com a mulher, mas eu acredito que isso está sendo desconstruído a cada dia, está melhorando, a gente está conseguindo o espaço no sertanejo”.

AO VIVO EM SOM E IMAGEM

Com sua voz potente e maquiagem imponente, Camilla Layara cantou algumas músicas que apresenta nos shows, como “Erro gostoso” (Simone Mendes), “Leão” (Marília Mendonça), “Última Saudade” (Henrique e Juliano), “Meu ex-amor” (Amado Batista) e “Vida Vazia” (Bruno e Marrone), além de modões da música sertaneja, como “Página de Amigos”, (Chitãozinho e Xororó) e “Tentei te esquecer” (Matogrosso & Mathias). Ela destacou que ainda hoje essas canções tradicionais fazem muito sucesso, até entre os mais jovens. 

Casada, estudante de marketing desde 2025 e há tempos trabalhadora na área de oferta de crédito consignado, Camilla tem como meta fazer um plano de divulgação de sua carreira, que a cada dia tem ganhado mais espaço em sua agenda semanal.

“Graças a Deus, consolidei minha carreira. Tenho bastante evento para fazer: no final de semana, ou tenho show em barzinho ou em festas.  As pessoas também chamam para eventos privados. Quero fazer mais vídeos cantando, ter mais contatinho ali com o público. Meu público do Instagram, do TikTok, já é uma rede bem expansiva. Os vídeos que eu posto tem um grau de visualização até que legal. Quero ampliar isso”, comentou.

Camilla também planeja lançar as músicas de sua autoria, para reforçar sua identidade como artista: “Hoje em dia, há muitas vozes parecidas cantando sucessos conhecidos, então, precisamos buscar a nossa identidade. Muitos artistas da atualidade querem ser iguais aos que já estão aí. Eu acredito que tenho uma identidade artística própria. Quero gravar minhas próprias canções, expô-las para as pessoas conhecerem, porque todo mundo se identifica com uma música. Portanto, eu pretendo lançar as músicas que tenho guardadinhas comigo”.

Para acompanhar a carreira de Camilla Layara acesse o Instagram @camilalayaracantora.

VEJA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA NO REVISTA DA SEMANA DE 01/11/2025